Mostrando postagens com marcador Sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sociedade. Mostrar todas as postagens

28 agosto 2016

Breve texto com mais de 140 caracteres de quem não tem Twitter

“como nada acontece na vida das pessoas hoje em dia, coletivamente se deseja que aconteça alguma coisa que quebre a rotina do não-acontecimento” (Jean Baudrillard, sociólogo francês)

Os comentários que farei aqui são exemplo e alvo de suas próprias críticas.

Acreditar que se tem algo interessante a dizer. Tentar mostrar aos outros que na sua ausência aparente você faz algo relevante e pensa coisas diferentes. Descobrir que tem pessoas interessadas em saber o que você escreve. Poder falar com alguém sobre um terceiro, a quem seguimos. Comunicar novidades instantaneamente. Ser ao mesmo tempo a mensagem e o meio. Tornar as coisas do cotidiano atrativas. Dar feição monumental as idéias. Talvez sejam estas as forças que movem nossas aparições na internet.

Queremos nos apresentar como num reality show, com a vantagem de não passarmos pela pré-aprovação da Rede Globo, nem sofrer os cortes na edição do programa. Somos publicitários de nós mesmos, querendo vender nosso dia a dia, querendo ser consumido por outros. Que nome dar a este fenômeno? Narcisismo? Carência? As conversas entram em extinção, dando lugar a um monólogo popular. Isto nos afasta de relacionamentos físicos, difíceis num mundo sem tempo. Alimentamos a ilusão de que estamos de fato inseridos em uma rede, ainda que estas pessoas não sejam capazes de ler algo alem de uma dúzia de palavras. Mas consigo atualizar meus amigos quando falo o que estou fazendo, eles sabem que estou vivo.

Será que é hora de colocar a solidão no plural?
Será que estamos sozinhos?

***
Publicado originalmente no blog do Fabio, 'A morte do intelecto', em 08-out-2009
http://mortedointelecto.blogspot.com.br/

foto de 27-mar-2014

24 agosto 2016

Para por no seu blog

A gente ouve expressões como "salvar o planeta" ou "ajudar o meio ambiente" até de pessoas e meios de comunicação esclarecidos... Eu, e espero que encontre apoio, não concordo com esta postura. A arrogância do homem é tamanha que, mesmo depois de tudo o que fez - explorando desenfreadamente os recursos naturais, degradando intensamente áreas cada vez maiores e adotando hábitos de consumo movidos pela vaidade - cria um novo cenário em que o planeta parece frágil, a natureza é sensivel aos menores impactos do cotidiano, como um banho demorado. Isso me parece uma grande farça! Enquanto nos oferecem títulos de salvadores do mundo por separarmos nosso lixo, muitos outros danos ambientais (alguns irreversiveis) continuam sendo praticados. O meio ambiente não precisa que o homem ajude a melhorá-lo, como se fosse um organismo desamparado e indefeso. Nós é que precisamos de ajuda, pois a cada dia o ser humano está mais adoecido, cego em seus propósitos e iludido nos próprios enganos que comete.

***
Texto de 2011 que escrevi para um amigo da CEA colocar no blog dele, mas que não foi contemplado!

foto de 25-mar-2014
(primeira viagem para Juruti_PA)

05 maio 2013

Os benefícios do efeito estufa - Realidade Ecológica, Metáfora Bíblica

     Muita gente confunde efeito estufa com aquecimento global e é muito importante que a gente saiba diferenciar um do outro. Efeito estufa é um fenômeno natural causado por alguns gases capazes de reter parte do calor do sol que incidem sobre a Terra. Sem o efeito estufa nosso planeta seria frio demais, inviabilizando muitas formas de vida, inclusive a nossa!
     O aquecimento global, diferente do efeito estufa, é um fenômeno causado pela interferência do homem no meio, na medida em que suas ações aumentam consideravelmente a concentração desses gases que aquecem a Terra, a ponto de desregular a dinâmica natural do efeito estufa. As consequências deste excesso são catastróficas: maior incidência de furacões, derretimento das geleiras, desertificação, alteração na sazonalidade e volume das chuvas, entre outros. O sol continua fazendo o seu papel, o efeito estufa continua sendo necessário, mas a forma como o homem tem agido, tem prejudicado e corrompido algo que é essencialmente bom!

     A Bíblia nos diz que Deus é o sol da justiça e que nós devemos refletir a sua luz - impossível não comparar com a ideia de efeito estufa, né?! Deus, plenamente justo, nos convida a reter a sua justiça e mantê-la presente na Terra.
     Sem que a sua justiça estivesse entre nós, não haveria possibilidade de perdão, de misericórdia e de uma nova chance para quem errou. O mundo seria um lugar extremamente frio e calculista, movido pela vingança e revanchismo!
     Aliás, é isso que muitas vezes acontece... Nossa sociedade vive querendo interferir e acrescentar novas regras e novas penas. Acreditamos que nossa justiça é mais justa que a de Deus e nos colocamos na posição de juiz. E quando o homem altera aquilo que tinha sido planejado por Deus as consequências são catastróficas: guerras, genocídios, penas de morte e outras formas de violência travestidas de justiça.

     Precisamos voltar a refletir a justiça divina, sem cair nos excessos humanos! Precisamos aquecer o mundo com o calor de um abraço fraternal. Precisamos compartilhar diariamente o perdão que já recebemos. Precisamos mudar hoje, para o bem das futuras gerações!

01 maio 2013

O ‘R’ mais importante e menos comentado - Realidade Ecológica, Metáfora Bíblica


     Uma das preocupações centrais da sustentabilidade é a geração e destinação do lixo, o que chamamos de gestão de resíduos sólidos. Por ser um tema bastante discutido, é possível que muitos estejam familiarizados com a política dos 3 R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

REDUZIR: É quando a gente não usa coisas que a gente não precisa! Reduzir é evitar o desperdício e usar o mínimo de material para conseguir o que a gente quer.
REUTILIZAR: É quando a gente usa uma coisa varias vezes e de varias formas antes de jogar fora. Reutilizar é um processo simples e também evita desperdícios porque deixamos de utilizar coisas novas para usar mais um pouco as coisas que a gente já tem.
RECICLAR: É quando uma coisa que não nos serve mais pode ser reaproveitada para fazer uma nova coisa que volta a ser útil.

     A ideia colou tão bem que os ambientalistas começaram a acrescentar novos R’s como repensar, recusar, recuperar, reaproveitar, re-isso, re-aquilo... A cada dia surgem novos conceitos que tentam cobrir todos os comportamentos que precisam ser mudados em nossa sociedade.

     Mas muito antes desse modismo, no primeiro século, a discussão estava em torno de um único ‘R’: reconciliar. O princípio é simples e bastante amplo! O homem se afastou do propósito de sua existência e precisa voltar a encontrar o seu lugar e papel no mundo.

     Por definição, a reconciliação é feita entre duas ou mais partes; tem a ver com o reestabelecimento da paz e da amizade entre pessoas que se desentenderam. Neste caso, falamos da reconciliação entre criador e criatura, Deus e homem!

     Nossas atitudes são o oposto do que Deus – e até mesmo nós – gostaria que fosse. Somos corruptos, violentos, gananciosos, avarentos, promíscuos, invejosos, orgulhosos... sinceramente, somos um lixo! Mas Deus quer se reconciliar conosco, quer voltar a dar sentido a nossa existência. Por isso, tomou a iniciativa através de Cristo, nos apresentando e nos oferecendo uma nova perspectiva de vida. A matéria prima se faz objeto e, apesar de sua perfeição, assume toda impureza que está a sua volta para que o processo de reconciliação seja possível. Nosso destino de eterno apodrecimento no aterro deixa de ser a única opção, somos transformados e voltamos para as casas, úteis novamente!

     Assim, o homem reconciliado é uma nova pessoa, é alguém que abandona as atitudes destrutivas do passado e começa a enxergar novas possibilidades nas diversas áreas de sua vida, sejam elas sociais, ambientais ou econômicas!

****
Debate baseado no texto de II Co 5:17-21

28 abril 2013

A água não vai acabar - Realidade Ecológica, Metáfora Bíblica

     Um dos grandes mitos da sustentabilidade é a ideia de que a água vai acabar! Mais de 70% da superfície terrestre é coberta por água e ela definitivamente não vai acabar!
     Por outro lado, isso não quer dizer que a água não vai faltar... A questão é disponibilidade e acesso! Em algumas regiões a água já falta e os motivos são geográficos. Basta pensar no território brasileiro, temos uma das maiores bacias hidrográficas do mundo na amazônia e, algumas centenas de quilômetros pra frente, o sertão nordestino!
     Outro fator que limita o acesso a água é sua qualidade e os custos para tratamento. Nem toda água que temos é boa para uso e por isso, precisamos torná-la potável. Ninguém tomaria banho com as águas do rio Tietê ou beberia a água do mar para matar a sede! A água só é fonte de vida para nós se estiver pura.

     Certa vez, Jesus sentou-se ao lado de uma mulher que tirava água do poço e lhe pediu água para beber. Ela estranhou a atitude, pois os homens daquele tempo não dirigiam a palavra a mulheres estrangeiras. A conversa foi mais ou menos assim:
- Moça, poderia me dar um gole de água?
- Nossa, você deve estar com muita sede pra pedir água pra mim!
- Na verdade, eu só puxei assunto porque notei que você está morta de sede e eu posso te oferecer água pura.
- Como você vai me dar de beber se nem tem balde pra puxar água do poço? Ele é bem fundo viu, moço?!
- Não é dessa água que eu estou falando. Esta água que você tira do poço só mata a sede do corpo, mas a água que eu quero te dar, mata a sede da alma e transforma o coração mais seco em um rio cheio de vida!
- Eu quero beber dessa água!

     Assim como existem lugares desérticos no mundo, há também corações que estão ressequidos e sem vida. Isso não quer dizer que não existe água viva no planeta capaz de transformar essa realidade!
     Jesus é a grande nascente que brota da rocha, uma fonte constante e infinita de água a jorrar para a vida. Aqueles que bebem dessa água se tornam afluentes formando um imenso rio que vai crescendo e alcançando outras regiões áridas do planeta!
     E quem encontrar esta água em meio ao deserto, poderá beber sem medo, pois ela é pura e refrescante, limpa de toda impureza que há nesse mundo.
     Não é a toa que Jesus escolhe a figura da água! Ela é um recurso renovável, garante a existência da vida e nunca, definitivamente nunca, vai acabar!

14 dezembro 2012

Babaquice



     Um dia desses estava comentando com o Arthur que a MPB tinha uma forte relação com a sociedade. Os artistas eram mais que músicos, eram considerados verdadeiros heróis, capazes de traduzir de forma poética os conflitos de seu tempo. E foi neste ambiente de saudosismo, exaltando uma época que só conhecemos de ouvir falar, que nos deparamos com uma questão quase filosófica! Será que a música perdeu a função de revelar os anseios da sociedade... Ou será que a música continua falando sobre as questões do seu tempo e na verdade o problema é que nós somos tão toscos quanto as letras que ouvimos?!

Veja um exemplo da mudança:
Antes - "enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva, de sede, são muitas vezes gestos naturais"
Hoje - "agora eu fiquei doce igual caramelo, tô tirando onda de camaro amarelo"
Fala a verdade, nem a Jovem Guarda, traduzindo as músicas americanas da Guerra Fria, conseguiu ser tão fútil!

     Você vai dizer, "também, olha o exemplo que ele dá... camaro amarelo é covardia!", mas infelizmente essas letras geniais não se restringem ao funk ou ao sertanejo universitário. Mesmo os artistas que foram eleitos como representantes da música brasileira atual - tipo Seu Jorge - escorregam nessa porcaria que estamos fazendo! Alguém vê valor no seu novo hit "Amiga da minha mulher"?

     Então me pergunto: será que para ter sucesso hoje em dia é indispensável falar de sexo, traição, vingança e bebedeira? Então me respondo: a prática mostra que sim, somos uma geração de babacas. Então só me resta a esperança de que daqui 30 anos, dois rapazes conversando num dia qualquer, sejam capazes de ver algo bom nisso tudo, pois se tornaram ainda mais idiótas do que nós!

     Salve o saudosismo, salve a babaquice!

23 julho 2011

amy winehouse morreu

Quando fui colocar o nome dela no google para ver como escrevia, o site completou "amy winehouse morreu". Eu já sabia, mas coincidentemente era esse mesmo o título que eu tinha pensado em dar ao meu post. Quando ouvi a notícia na rádio fiquei surpreso, embora a apresentadora do programa tenha comentado que se tratava de uma 'morte anunciada'. Isso me fez mal.

Não sou um grande fã da cantora, aliás baixei o seu cd a dois meses atrás para matar a curiosidade e acabei descobrindo que a música dela era bem diferente do que eu imaginava. Antes disso, tudo o que eu sabia era que Amy Winehouse era uma personalidade polêmica com problemas alcólicos e que vira e mexe deixava seu público na mão ao abandonar os shows.

Me parece que a exploração desse mito foi mais comercializada que a própria música dela. A mídia focou todos os seus esforços na cobertura dos fracassos da cantora, fazendo de cada atitude errada um espetáculo. Filmes, charges e boa parte de nós, passamos a ridicularizar e torcer por mais situações vergonhosas.

Não fizemos nada além disso, nada que pudesse dar um outro final a essa história. Agora já não há mais razões para rir: Amy Winehouse vai embora como quem cansa da brincadeira. Ela é mais uma das pessoas que morrem diariamente diante da nossa insensibilidade e eu me sinto culpado.

10 janeiro 2011

MEDOS PÚBLICOS EM LUGARES PRIVADOS

     Há anos estou ensaiando uma ida ao cinema para assistir “Medos Privados em Lugares Públicos". Lembro-me que a primeira vez que ouvi esse título estava no terceiro ano de faculdade, combinei de ir com os amigos, mas acabamos no Shopping.

Com o tempo fui me apaixonando pelo cinema, tanto que neste último semestre fiz matrícula numa disciplina da ECA, que viria a ser a última nota lançada no meu histórico antes do diploma. Numa das aulas, o diretor da Pandora Filmes, que tambem é um dos sócios do Belas Artes, fez uma brincadeira dizendo que no futuro haveria uma tese de doutorado na Sorbonne tentando explicar porque um filme ficou três anos em cartaz. Não por acaso o filme era o mesmo que eu havia deixado de assistir três anos antes.

"Medos Privados em Lugares Públicos" era mais que um bom título de filme francês, havia se tornado algo histórico e qualquer cinéfilo que se preze não podia deixar de vê-lo. Negociei com minha namorada uma ida a um cinema de arte e para minha surpresa ela escolheu o dito cujo, por livre e espontânea vontade! Ainda sim eu estava procurando uma outra opção, caso ela mudasse de idéia.

     Mas não teve jeito! Na quinta-feira veio a notícia de que o Belas Artes seria fechado depois de 68 anos de serviços prestados a cultura paulistana de classe média alta. Se já era um fato histórico assistir o filme, vê-lo naquele cinema havia se tornado algo mítico. Com uma única seção por dia, o filme seria projetado até fecharem as portas do cinema. No sábado não deu, fomos no domingo!

     Fiquei muito emocionado quando vi a pequena sala Carmem Miranda com seus 98 lugares ocupados. E todos pareciam expressar o mesmo sentimento de admiração, tristeza e empolgação por fazerem parte deste momento. Havia a sensação de que nossos ingressos salvariam o cinema, e se os R$ 9,00 da meia não fossem suficientes para mantê-lo, ao menos poderíamos contar que estivemos lá pouco antes de seu fim.

     Enquanto não começavam os trailers fiz aquele velho processo de reflexão que interessa a alguns e desinteressa a muitos. Como você parece ser um dos interessados, vou contar o que pensei. O público estava com medo de perder a chance de assistir o filme que ficou mais tempo em cartaz na história de um cinema brasileiro. Isso porque o dono do terreno quer alugar o espaço onde o Belas Artes esta localizado desde 1943 e tem os direitos sobre esta propriedade. Enfim, mais um caso típico de medo público em lugar privado! Eu sei que é um trocadilho tosco, mas faz sentido, não faz?!

28 outubro 2010

V.I.P.

Os metódicos que me perdoem, vamos interromper o "Narcisismo e Literatura"!

Ontem estava tentando chegar a faculdade quando o trânsito da marginal me colocou de cara com o Salão do Automóvel. Mas dessa vez o que me chamou a atenção não foi a impossibilidade de transitar em São Paulo e o evento para promover a venda de carros... isso deixou de ser uma contradição! O pior foi ver uma tal de entrada V.I.P.! Nada contra a sigla em si, o que eu não gosto é o que tem por de trás dela: Very Important Person

Dei uma olhada no dicionário inglês-português:
ve.ry  im.por.tant  per.son
adj 1 pessoa muito importante; 2 alguém que merece entrar por uma portinha diferente.

O que me consola, é saber que essa ansiedade por ser especial sempre existiu, não é algo da nossa estúpida (pos) modernidade! A única diferença é que agora as pessoas não podem mais comprar títulos de nobreza, o que fez com que as baronesas e os duques se transformassem em vi-ai-pis.

Bom, como “textos curtos” está ganhando de “temas polêmicos”, vou terminar logo propondo que todos entrem por uma porta só. Uma entrada V.I.P. – porque não tenho nada contra a sigla em si – que no bom português seria: Vamo Intrando Pessoal!